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Bairro da Lapa


Código de comercialização:
852006756
Edital: nº 4
Arte: Tina Velho
Processo de Impressão: ofsete
Folha: 30 selos
Papel: cuchê gomado
Valor facial: R$ 0,75
Tiragem: 3.000.000 selos
Picotagem: 12 x 11,5
Área de desenho: 25mm x 35mm
Dimensões do selo: 30mm x 40mm
Data de emissão: 19/2/2004
Local de lançamento: Rio de Janeiro/RJ
Impressão: Casa da Moeda do Brasil

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SOBRE O SELO

O selo apresenta, em primeiro plano, um casal de dançarinos e um conjunto de chorinho tão tradicionais na cidade do Rio de Janeiro, e, ao fundo, os Arcos da Lapa ao luar, simbolizando o romantismo e a boemia do bairro da Lapa. Foi utilizada a técnica mista: desenho, aquarela, fotografia e computação gráfica.



BAIRRO DA LAPA

Em uma cidade como o Rio de Janeiro, famosa por suas belezas naturais e arquitetônicas, "a Lapa", como é popularmente chamado o bairro da Lapa, merece destaque por se tratar de um marco na história da cidade. É impossível pensar na Lapa sem lembrar de música, cultura e uma intensa vida noturna. O bairro evoca as lembranças dos "malandros", boêmios e músicos tão presentes no imaginário do carioca.

A Lapa não é apenas sinônimo de boemia; destaca-se também por muitas obras arquitetônicas e pontos turísticos. Lá se encontra o Passeio Público, criado com o aterro da Lagoa do Boqueirão da Ajuda, em 1783, pelo Vice-Rei D. Luiz de Vasconcelos. O Passeio foi a primeira praça pública da cidade, e, ainda hoje, exibe um belo jardim, com paisagismo de Glaziou e obras do Mestre Valentim, artista de influência barroca que marcou a Lapa com o antigo Chafariz das Marrecas e o dos Jacarés, além dos dois obeliscos que ornamentavam o antigo mirante existente no parque, com vista para a Baía da Guanabara.

Outra atração arquitetônica importante é a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro, de meados do século XVIII. No século XIX, a Igreja foi reformada e sua fachada recebeu um revestimento de belos azulejos decorados. Mas o maior símbolo do bairro é, sem dúvida, o Aqueduto da Carioca, popularmente conhecido como Arcos da Lapa, concluído em 1750 para trazer água das nascentes do Rio Carioca e resolver o, então, crônico problema de falta de água na cidade. No fim do século XIX, os arcos passaram a ser utilizados como linha de bondes elétricos e, entre os anos de 1988 e 1996, sofreram diversas reformas e receberam uma iluminação especial.

O bairro registrou momentos de decadência, especialmente depois da proibição dos jogos de azar no país e das sucessivas crises econômicas. Mas graças a projetos, como o "Corredor Cultural", de 1980, e a criação do "Distrito Cultural da Lapa", em 2000, vários monumentos da área foram recuperados. Prédios antigos que estavam abandonados foram reformados e tornaram-se centros de cultura e lazer.

Hoje, a Lapa é um ponto de encontro de pessoas de todas as idades e classes sociais, em seus diversos bares e boates. Nesse bairro estão a Sala Cecília Meireles, conhecida sala de concertos, grupos de teatro de rua e várias outras atrações culturais. Os poetas Manoel Bandeira e Antônio Maria lá viveram por algum tempo, enquanto Portinari teve atelier no bairro. Certamente, a beleza irreverente desse bairro inspirou, e ainda inspira, grandes poetas e sambistas brasileiros.

Esta emissão dos Correios destaca não só a Lapa atual, mas a Lapa de todos os tempos, parte da história da cidade do Rio de Janeiro, cantada em prosa e verso.

Helena Severo
Secretária de Estado de Cultura do Rio de Janeiro

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