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Relatórios Sociais

VOCAÇÃO SOLIDÁRIA

Inserção na vida do país favorece papel social

Há uma especial identificação dos brasileiros com os Correios. Trata-se de algo que vai além da lógica das técnicas de marketing de relacionamento ou de fidelização dos clientes. Tais recursos são lícitas e eficientes ferramentas de negócios, mas não bastam para explicar a profunda inserção dos Correios e de seus profissionais nas comunidades onde atuam. Por meio do contato diário com a população, uma relação de confiança foi construída ao longo dos anos, cuja qualidade de interação dificilmente é igualada nos convencionais relacionamentos cliente-empresa. O sólido vínculo mantido com a população dos 5.561 municípios atualmente existentes no Brasil faz dos Correios mais do que uma corporação às voltas com sua atividade comercial. A profunda identificação com a sociedade, aliada à responsabilidade de organização de natureza pública, faz dos Correios importante promotor de iniciativas de relevância social. No exercício de sua vocação natural de instituição-cidadã, a empresa participa, com seu nome, recursos e profissionais, de uma série de ações em favor dos brasileiros - particularmente dos mais necessitados. Entre elas, a que mais identifica os Correios com a prestação de serviços é o Programa Carteiro Amigo - Incentivo ao Aleitamento Materno, iniciativa de esclarecimento de mães e gestantes sobre a importância de amamentar seus filhos até os seis meses de vida, como forma eficaz de combate à desnutrição e à mortalidade infantil. Nascida em 1996 no âmbito da Diretoria Regional dos Correios, no Ceará, em associação com a Secretaria Estadual de Saúde, a iniciativa tornou-se uma referência nacional, ganhando o reconhecimento da sociedade e do governo federal. Graças ao sucesso - que ajudou a diminuir os índices de mortalidade infantil no estado -, o projeto foi sucessivamente disseminado, com o apoio do Ministério da Saúde. Em 1999, os benefícios da ação de conscientização foram espalhados para toda a região Nordeste. Cerca de 315 mil famílias receberam a visita de 3 mil carteiros, devidamente treinados e munidos de material informativo sobre os benefícios da amamentação. Em 2000, seis mil carteiros das regiões Norte e Centro-Oeste se encarregaram da distribuição de 500 mil folhetos a mães e gestantes. Desde 2001, com a inclusão do Sul e Sudeste, todo o país passou a ser objeto do trabalho dos carteiros amigos. Nessas duas regiões, fruto de novo convênio com o Ministério da Saúde, profissionais dos Correios assumiram a missão de entregar 1,3 milhão de folhetos.

Por conta da forma receptiva como os carteiros são tratados pela população, os Correios aproveitaram a experiência adquirida com o programa Carteiro Amigo para se engajar em uma missão urgente e de grande importância social - o esclarecimento da população de áreas de risco de São Paulo e Rio de Janeiro sobre o combate à dengue. Cerca de um milhão de famílias foram visitadas por carteiros e receberam orientações.

Valorizados como organização comprometida com as causas sociais, os Correios são reconhecidos também pela participação de seus empregados em ações filantrópicas em favor da população. Dotados de sensibilidade para se reconhecer nos dramas do próximo - e de disposição para aliviá-los -, os profissionais dos Correios acumulam experiências solidárias, como apoio a instituições comunitárias, creches e asilos, coleta e doação de alimentos e gêneros de primeira necessidade, aulas de reforço escolar e de alfabetização de adultos. Essa ação de voluntariado que, em muitos casos, une empresa e empregados em campanhas de utilidade pública, como a de coleta de doações a vítimas de secas ou de enchentes, foi praticada com intensidade novamente em 2001. O conjunto de iniciativas de voluntariado coordenadas pelos Correios registrou a participação de 32 mil pessoas, entre empregados, dependentes e comunidade.

PAPAI NOEL

Por suas características particulares e pelo sentimento que originou a sua instituição, uma das ações sociais corporativas mais marcantes é o programa Papai Noel dos Correios, nascido espontaneamente da vontade de empregados em atender, de algum modo, aos pedidos contidos nas milhares de cartas remetidas a Papai Noel por crianças de famílias pobres. Hoje, sistematizada pelos Correios, a ação solidária dos empregados busca responder, com uma mensagem de carinho, sabedoria e esperança no futuro, a todas as crianças que escrevem cartas a Papai Noel. Em muitos casos, com a ajuda de colegas, empresários, poder público e comunidade, os empregados envolvidos no programa conseguem angariar brinquedos e cestas básicas para serem distribuídos nos dias que antecedem o Natal. Todos os anos, comissões formadas em cada Diretoria Regional se encarregam da leitura das cartas e da seleção dos pedidos mais urgentes e viáveis. Vestidos de Papai Noel, empregados tratam de fazer chegar os presentes às mãos das crianças selecionadas. Em 2001, os Correios receberam 36 mil cartas e fizeram a entrega de 11 mil presentes. Pela importância social e pelo bom exemplo que inspira, o programa Papai Noel dos Correios tem merecido o reconhecimento da sociedade. Em 2001, foi agraciado com o prêmio Top Social da Associação Brasileira dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), um dos mais importantes divulgadores das iniciativas de organizações que promovem o bem-estar social como parte de suas atividades.

Como se pode notar, a criança - ou, em outras palavras, o futuro - constitui um dos principais focos da missão social dos Correios. Esse aspecto foi ainda mais fortalecido em 2001, com a adesão da empresa ao projeto Criança Esperança, tradicional campanha de cunho social organizada pela Rede Globo de Televisão e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Numa parceria que envolveu ainda a Brasil Telecom, os Correios passaram a comercializar kits especiais compostos de cartões telefônicos e cartões-postais alusivos ao Criança Esperança. O acordo permitiu aos organizadores do projeto arrecadar R$ 2,5 milhões com a venda de kits, recursos destinados a organizações do Terceiro Setor de combate ao trabalho infantil e à exploração sexual de crianças e adolescentes, para a melhoria da qualidade da educação e para a integração social dos portadores de deficiências físicas. Em 16 anos, o Criança Esperança apoiou 4.750 projetos sociais, beneficiando 1,5 milhão de crianças.

Organizações dedicadas a projetos de apoio à infância são igualmente contempladas por outra vertente da ação social dos Correios: a dos tradicionais aerogramas e cartões de fim de ano. Com a chegada do Natal, as agências abrem espaço para a venda de aerogramas produzidos pela empresa e de cartões de entidades sociais sem fins lucrativos selecionadas pelos Correios. Em 2001, os parceiros foram o Unicef e a Ação Comunitária Brasil (ACB). Os Correios lançaram 10 modelos de aerogramas, além de três específicos para envio por meio do site da empresa na Internet. A aceitação dos chamados cartões beneficentes das entidades parceiras dos Correios manteve a tendência de crescimento: foram vendidos 115 mil kits (com 12 unidades cada), contra os 100 mil de 2000. Isso representou arrecadação de R$ 413 mil, revertidos para projetos pró-infância.

O vínculo da ação social dos Correios com crianças e adolescentes está relacionado diretamento à educação. A empresa é uma das 15 patrocinadoras do Programa Capacitação Solidária, iniciativa que forma profissionalmente jovens de 15 a 21 anos, a maioria de famílias de baixa renda. Os recursos investidos pelos Correios e por outros parceiros - em 2000, a empresa aplicou R$ 2 milhões - têm feito a diferença na vida dessas crianças. Em seis anos, o programa já preparou mais de 115 mil jovens para o trabalho, por meio de aproximadamente 3.800 cursos. Merece destaque também o engajamento dos Correios no Programa Alfabetização Solidária.

A dimensão comunitária do trabalho da empresa também está presente em uma de suas atividades mais tradicionais - a filatelia. Por meio do lançamento e da comercialização de selos, a empresa tem contribuído para a arrecadação de recursos em favor de programas de assistência à criança e para assegurar maior visibilidade a temas de importância social. O projeto Selando o Futuro é bom exemplo dessa preocupação. Nascido em 2000 no âmbito do correio dos EUA como um concurso internacional, o projeto envolveu todas as administrações postais do mundo. Crianças foram convidadas a expressar, em desenhos, sua visão sobre o futuro. Os melhores trabalhos de cada país transformaram-se em selos. No Brasil, o projeto ganhou contornos ainda mais sociais - parte da renda obtida com as vendas (fruto de pequena sobretaxa incluída no valor do selo) tem sido destinada a programas em prol da infância vinculados ao Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente, gerido pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Em 2001, o Selando o Futuro foi responsável pelo repasse ao Conanda de R$ 94 mil.

Em muitos casos, a expressão do compromisso social se manifesta na utilização do selo como um instrumento de reflexão sobre questões contemporâneas, de divulgação de boas causas e de instituições que lutam pelo bem comum. Em 2001, essa visão novamente se fez presente, com emissões sobre o Conselho da Comunidade Solidária, a Conferência Mundial contra o Racismo, o Dia Internacional do Portador de Deficiência, o Dia Nacional da Consciência Negra e o Diálogo entre as Civilizações, entre outras.

MEIO AMBIENTE

Da mesma forma com que se apresentam como instituição de vanguarda no campo social, os Correios procuram associar o seu nome às boas práticas ambientais. Ao longo dos últimos anos, a empresa vem consolidando uma série de experiências internas a serem aplicadas em um amplo e detalhado sistema de gestão do meio ambiente. Esse modelo será decorrência natural da aplicação da política da empresa para o setor, cujo conteúdo vem sendo elaborado e gradualmente implantado desde 1999. Fruto de pesquisas num universo de empresas públicas e privadas, nacionais e estrangeiras, acerca do que de mais efetivo vem se praticando no mundo em termos de preservação do meio ambiente e das necessidades e caracterísitcas específicas de uma organização que se dedica à atividade postal, os Correios definiram sua política ambiental, cujos princípios estão assentados na idéia de desenvolvimento, no âmbito interno, de uma mentalidade preservacionista e de valorização do uso racional dos recursos naturais; de garantia do atendimento à legislação e às normas estabelecidas para a prática de ações de preservação; de implementação de tecnologias, métodos e processos 'limpos', seguros e economicamente viáveis; de garantia de que fornecedores, parceiros e prestadores de serviços tenham padrões de qualidade ambiental compatíveis com os dos Correios; de estímulo a ações que disseminem a cultura preservacionista entre a comunidade; e de atuação com a União Postal Universal, outros correios e organizações públicas e privadas no intercâmbio de experiências de sucesso na área ambiental.

A definição da política corporativa para a área permitiu estabelecer um cronograma de atividades. Em 2001, foram feitos os ajustes finais para a implementação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) em unidades da empresa caracterizadas pela diversidade de atividades. A partir de 2002, quatro unidades vão adotar experimentalmente o SGA, que tem como parâmetro a norma ISO 14001. A idéia é incorporar ações de qualidade ambiental em todos os processos da empresa, de modo a habilitá-la para a certificação internacional ISO. Independentemente do SGA, em 2001, os Correios elaboraram um Plano de Ações Corporativas (PAC), a ser operacionalizado a partir de 2002. Trata-se de introduzir medidas simples, porém eficazes, no dia-a-dia, com vistas ao atendimento da política ambiental da empresa: racionalização do consumo de papel, água e eletricidade; redução da poluição e dos impactos ambientais causados por efluentes líquidos e sólidos; promoção da imagem institucional e de ações de responsabilidade pública.

JOVENS NO TRABALHO

Empresa-cidadã, os Correios se mobilizam internamente oferecendo chance de aprendizado, trabalho e integração a segmentos desassistidos da sociedade. Premiado em 2000 pela Fundação Abrinq - o que autorizou a empresa a usar a chancela "Empresa Amiga da Criança" -, o programa Correios: Educar para o Futuro se firma como meio de acesso de jovens de comunidades carentes ao mundo do trabalho. O objetivo é permitir que os adolescentes participantes vivenciem o dia-a-dia de uma empresa, envolvendo-se ainda em atividades socioeducacionais. Em 2001, 5.338 jovens puderam passar por treinamento orientado para o mercado de trabalho.

Também com o objetivo de oferecer uma chance a quem precisa, desde 1991 os Correios abrem oportunidades para portadores de necessidades especiais. Selecionados e contratados por entidades conveniadas, esses profissionais preenchem hoje 3.132 postos de trabalho em atividades administrativas adequadas e participam de ações de lazer e integração à comunidade. Por sua vez, o Programa de Apoio aos Apenados é a concretização da chamada segunda chance: consiste em reintegrar à sociedade presos que cumprem pena em regime aberto ou semi-aberto. Em parceria com secretarias estaduais de Justiça, a empresa destina postos de trabalho a pessoas condenadas pelo sistema judiciário. Em 2001, 112 apenados foram beneficiados pelo programa.

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