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CORREIO BRAZILIENSE-DF ECONOMIA Luciano Pires Da equipe do Correio Os funcionários dos Correios decidiram ontem entrar em greve como forma de pressionar o governo a alterar a proposta de aumento salarial apresentada à categoria na última terça-feira. As assembléias estaduais começaram no início da noite e, até o fechamento desta edição, muitas delas não tinham terminado. No Distrito Federal, os trabalhadores votaram em peso pela paralisação. A greve começa hoje e, de acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios Telégrafos e Similares (Fentect), entidade que representa os servidores, a adesão inicial será de 60%. A oferta da empresa, negociada com o aval do Ministério das Comunicações, prevê aumento de 3,74% imediatamente, R$ 50 em janeiro de 2008, reajuste do tíquete de R$ 15 para R$ 17, a concessão de um abono de R$ 200 já e outros R$ 200 em janeiro do próximo ano. Os servidores exigem 4,91%, uma parcela fixa de R$ 200, além da recuperação das perdas salariais acumuladas no passado (47,77%). O salário inicial de um trabalhador dos Correios é de R$ 524. Em todo o país, há cerca de 110 mil funcionários. A Fentect estima que a paralisação se estenderá por até 23 estados. Hoje, haverá uma passeata de funcionários que pretendem se concentrar em frente ao edifício sede da empresa logo pela manhã. O ato servirá, de acordo com o comando de greve e com a Fentect, para chamar a atenção dos indecisos e atrair mais servidores para a paralisação. A direção dos Correios não se pronunciou e aguardará o fim do primeiro dia de protesto para avaliar se a adesão realmente comprometerá a rotina da companhia e o atendimento ao público. Para a empresa, o movimento é injustificável, especialmente porque há uma negociação em andamento. Em 2005, cerca de 70% dos funcionários pararam. Em retaliação, a companhia acionou um plano de emergência, anunciando a contratação de profissionais em caráter temporário. Eles passaram a cumprir funções dos grevistas. De 2003 a 2007, segundo os Correios, os servidores tiveram reajustes de 103%, contra uma inflação de 46,8%. No primeiro ano de gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os carteiros ganharam um aumento de 23%. A proposta do governo tem maior impacto sobre os salários mais baixos e chega a representar ganhos de 13,28% a 10,53% para a base de trabalhadores. No caso dos profissionais de nível superior, o ganho varia de 6,3% a 4,36%. Os Correios prometem cortar o ponto dos grevistas que cruzarem os braços a partir de hoje.
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