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Clipping 05/12/2006 - 10:57
Correios recebem 2.390 cartas para papai noel

A TARDE-BA

SALVADOR

5/12/2006

MARCIA GOMES

mgomes@grupoatarde.com.br

 

Há 10 anos a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) põe em prática o Projeto Papai Noel. A idéia é entrar no clima de renovação da fé e da esperança que o mês de dezembro sugere e exercitar o espírito de confraternização.

A iniciativa surgiu com os carteiros que, sensibilizados com os pedidos de crianças que não tinham como obter os sonhados presentes de Natal, resolveram bancar o Papai Noel.

De 2003 para cá, mais de 30 mil crianças já enviaram suas cartinhas, pedindo ao bom velhinho uma lembrança, que pode variar desde um brinquedo ao material de construção para ajudar os pais.

Cerca de 2.390 cartas já estão expostas no térreo da agência central da Pituba.

O coordenador Regional de Recursos Humanos da ECT, Carlos Ferreira, explica que pelo menos 10 mil cartas tiveram seus pedidos atendidos. Segundo ele, a idéia surgiu há mais de uma década, em Salvador, quando alguns carteiros presenteavam crianças que escreviam para Papai Noel relatando seus sonhos.

PRESENTES– “Eles mesmos compravam e davam os presentes. Hoje nós formatamos o projeto, que acontece em todas as capitais e em várias cidades do interior“, diz Ferreira, ressaltando a abrangência da iniciativa.

De acordo com Carlos Ferreira, as cartas das crianças que solicitam presentes de Natal são entregues nas agências dos Correios ou na agência central, na Pituba, e ficam expostas. “Na verdade, nós coordenamos o trabalho mas quem dá o presente são as pessoas da comunidade, que vêm ler as cartinhas e se comovem com o que lêem“, relata.

As cartas são encaminhadas ao departamento de Recursos Humanos da empresa. Lá são lidas por uma comissão formada por voluntários da ECT que, cuidadosamente, as analisa segundo critérios como a natureza do pedido, situação socioeconômica da família, a situação de vida relatada e se a carta foi escrita mesmo por uma criança ou não.

Os que se encantam com o texto das crianças, compram o presente e deixam nos Correios, que se encarregam de entregar a encomenda em domicílio.

Temcriança que pede brinquedo, mas tem aquelas que pedem fogão, comida para a ceia de Natal e mesa para estudar, revela Carlos Ferreira. “Conclamamos os 4.800 funcionários na Bahia a adotarem uma carta. Eu mesmo adotei um menino que pediu uma mesa para estudar“, conta.

A designer gráfica Patrícia Rezende se emociona ao lembrar do menino que presenteou por meio do Projeto Papai Noel dos Correios em 2002. “Na carta, Iuri dizia que tinha 7 anos, estava na segunda série e que nunca havia recebido um presente. Disse que dormia no chão e por isso queria muito uma cama e emprego para o pai, que vive de biscate“, comenta Patrícia.

Tocada pela situação, ela comprou não apenas o móvel, mas um colchão, roupa de cama, uma cesta básica e um carrinho. “Escrevi uma cartinha em resposta a ele como se fosse Papai Noel e o incentivei a não desistir de seus sonhos. Em anexo, coloquei uma lista de possíveis clientes para seu pai“, disse.

PAPAI NOEL – Há nove anos Walter Vieira de Araújo trabalha nos Correios como carteiro. Pela sexta vez ele vai personificar a esperança de milhares de crianças que acreditam em Papai Noel. Aos 47 anos e pai de três filhos – orgulhoso com sua função extra –, Walter se veste de Papai Noel e sai entregando pessoalmente nas residências os pedidos feitos pelas crianças nas cartas adotadas.

“Procuro estimulá-los nos estudos, a serem bons meninos e a acreditarem que podem realizar seus sonhos. É uma experiência fantástica para mim. Eles pedem de tudo. Tem criança que pede até cadeira de rodas para avó”, diz o car teiro.

Ele conta que um menino com leucemia pediu oração e, além de receber vários presentes (carrinho, bicicleta, cesta básica e outros), teve as orações que pediu da equipe que foi agraciá-lo. “Infelizmente morreu três meses depois, mas doamos nosso carinho”, observa Walter, que afirma não querer deixar a nobre função, “é um presente para mim também”.


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