O selo foi concebido por fotomontagem digital, em que houve a fusão de duas imagens de Brasília, em dois diferentes momentos. Á direita, foi colocado o Marco Zero, área a ser ocupada pelo projeto do arquiteto e, à esquerda, a cidade em tempos atuais. A figura de Lucio Costa, à direita, contemplativo, com olhar voltado par o fundo, remete-se à idéia do seu projeto, em duas fases - idealizado e realizado. O croqui do Plano Piloto de Brasília sobrepõe-se à imagem do selo. As áreas laterais em sangramento estão em sintonia com o imaginário do arquiteto, sempre inovador.
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Arquiteto brasileiro nascido em Toulon, França, considerado líder do movimento de implantação da arquitetura moderna no Brasil, foi consagrado como o criador do Plano Piloto de Brasília. Filho de brasileiros a serviço no exterior, estudou na Inglaterra e na Suíça. De volta ao Brasil, estudou pintura e arquitetura na Escola Nacional de Belas-Artes, onde se diplomou em 1924. Identificado com as novas propostas de Gropius e Le Corbusier, defendidas no Brasil por Gregori Warchavchik, foi nomeado em 1930 diretor da Escola Nacional de Belas-Artes, recebendo plenos poderes para efetuar completa reestruturação nos métodos de ensino daquela instituição.
Em 1936, quando coordenava o grupo de arquitetos encarregado da elaboração do prédio do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, pediu pessoalmente ao então Presidente Getúlio Vargas a vinda de Le Corbusier para avaliar o projeto. Foi também o responsável pelo projeto do pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York, em 1939, no qual contou com a colaboração de Oscar Niemeyer. Ao lado do Pavilhão Sueco, foi considerado o melhor projeto arquitetônico da feira.
Lucio Costa deu fundamental contribuição à preservação do nosso patrimônio artístico e à renovação arquitetônica. Trabalhou com Rodrigo Melo Franco de Andrade na criação e organização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1937, no qual sua primeira incumbência foi examinar as ruínas jesuítico-guarani de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul. Projetou, então, o pequeno Museu das Missões, construído por Lucas Mayerhofer.
Lucio Costa deixou marcante contribuição para a arquitetura brasileira. Venceu o concurso nacional para o Plano Piloto de Brasília, em 1957. Construída a cidade, continuou a interessar-se por seus problemas urbanísticos e a defendê-la contra as medidas que desvirtuassem o projeto inicial. Elaborou também o plano de urbanização da Barra da Tijuca (1969), no Rio de Janeiro. Sua obra teórica é composta de numerosos ensaios, alguns definitivos para a formação da cultura arquitetônica brasileira, como Razões da Nova Arquitetura (1930) e O Arquiteto e a Sociedade Contemporânea (1952), além de sua autobiografia, Lucio Costa: Registro de Uma Vivência. Brasília (1985).
Ao lançar esse selo comemorativo, os Correios alinham Filatelia, Urbanismo e Arquitetura, numa homenagem a um dos maiores expoentes do pensamento brasileiro no século 20. Faz-se, assim, uma alusão à missão compartilhada entre Filatelia, Urbanismo e Arquitetura em prol da valorização do elemento estético na vida moderna.
Carlos H. Heck Presidente do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico - Iphan
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